Querida família

Eu não vivi a ditadura, mas sabemos, hoje, que a “revolução de 64” foi um Golpe de Estado. Os grupos que apoiaram o golpe erraram. Erraram porque foram contra a democracia, coisa que nunca devemos fazer. Não há saída fora da democracia. A decisão desses grupos em apoiar a tomada de poder pelos militares resultou num período longo e traumático para o Brasil. Famílias perderam seus filhos, políticos perderam seus direitos. Pessoas foram exiladas. Muitos torturados. O que se avançou com o milagre econômico na gestão Médici é pequeno frente ao retrocesso cívico que tivemos no país.
A nação perdeu muito, tanto do ponto de vista de violação de direitos fundamentais, quanto do ponto de vista da liberdade de pensamento. Sabemos também que a ditadura não começou anunciada. Tudo foi feito como rezava o rito constitucional, com a benção do Supremo, do Congresso e da imprensa, e inclusive com apoio de alguns setores da sociedade.
Mas golpes raramente são anunciados como tal. O que circulava nos press releases de 1964 era um novo governo que respeitaria a constituição e colocaria o Brasil nos trilhos, para limpar a corrupção e uma solução para afastar de vez a “esquerda”. É assustador como essa proposta tem similaridade com as narrativas que transitam pelo Brasil hoje. Continue…

5 milhões de senhas do Gmail vazaram. Saiba o que fazer

5 milhões de senhas do Gmail vazaram. Mesmo que a sua não tenha sido comprometida, você pode aumentar a segurança da sua conta

Mesmo que a sua não tenha sido comprometida, você pode aumentar a segurança da sua conta

Quase 5 milhões de senhas de usuários do gmail foram publicadas em um fórum russo nesta terça. De acordo com representantes do Google, procurado por publicações que veicularam a notícia nesta quarta, muitas dessas contas estão desativadas ou as senhas foram trocadas. Disseram ainda que as senhas não foram coletadas comprometendo os servidores da empresa, mas por meio de estratégias de phishing e adivinhação. No entanto, o usuário que vazou as informações, chamado tvskit, disse que 60% das senhas ainda funcionam.

Usuário que vazou informações também postou uma imagem mostrando o conteúdo do arquivo que tem as senhas

Usuário que vazou informações também postou uma imagem mostrando o conteúdo do arquivo que tem as senhas

A primeira coisa que você deve fazer é ativar a autenticação em dois passos, independente se sua senha vazou ou não. Funciona bem parecido com a autenticação de bancos, em que você entra com a senha e um número adicional, gerado por um aplicativo ou recebido via SMS. Ou seja, mesmo que sua senha fique comprometida, só será possível acessar sua conta de posse desse número, que além de ser diferente para cada vez que é feito o login, só é acessível num dispositivo próximo e autorizado por você.
O Google oferece um aplicativo chamado Google Authenticator (é o que eu uso – Android, iOS, Windows Phone, BlackBerry), que gera chaves aleatórias para quando você precisar acessar suas contas. É melhor que o SMS, pois às vezes você precisa acessar sua conta de um lugar onde a recepção não é boa (pense num laboratório de informática de um prédio bem fechado). Contudo, receber o número pelo SMS é mais simples, pois não envolve instalação ou abertura de qualquer aplicativo.
A segunda coisa é verificar se a sua senha foi comprometida. Há uma ferramenta que verifica em diversas bases de senhas que já vazaram se o seu email está lá. Basta acessar aqui e digitar seu endereço (tentei, mas parece que o servidor está sobrecarregado no momento). Se a sua senha tiver sido comprometida, troque imediatamente!
E a última coisa a ser feita avaliar a possibilidade de utilizar formas mais seguras de armazenar suas senhas. Existem diversas soluções por aí, das mais simples às mais complexas. A mais simples seria ativar um lembrete no calendário para trocar sua senha de três em três meses. Tente senhas não óbvias, que incluam letras minúsculas, maiúsculas, números e caracteres especiais. Desse modo fica mais difícil adivinhá-la e a troca frequente garante que, mesmo que sua senha vaze em algum momento, você já vai ter trocado para outra depois de um tempo.

Albert Einstein e a ciência de conta-gotas

É… o Albert Einstein sofreu depois que se formou na universidade. Ele queria porque queria seguir carreira acadêmica, mas o universo conspirou contra. Ninguém o queria como assistente… pode? Acabou conseguindo publicar um paper de forma independente num respeitado periódico da época, mas de zero contribuição para o legado da Física. Arrumou então o que muitos hoje procuram: a estabilidade de um emprego público. Virou parecerista júnior de patentes do governo Suíço. Ganhava mais do que um professor assistente em início de carreira, mas não estava nos entremeios acadêmicos. E pode ter sido justamente isso que nos brindou com sua genialidade… e me pergunto se algo parecido seria possível nos dias de hoje. Continue…

2014: O ano em que você vai levar um furo de um jorna-nerd

Em 2014, você vai levar furo de um repórter que sabe programar. Sim, você mesmo. Não o repórter na baia ao lado. Não aquele colega de faculdade. Você.

“Posso dizer então que isso que você falou seria…”


Claro, repórteres não precisam programar. Mas há muitas coisas que repórteres não precisam saber como fazer. Eles também não precisam saber escrever — muitos “artistas do furo” mal conseguem escrever seus nomes e seus textos são reescritos por santos editores. Vários que sabem escrever muito bem são do tipo acanhado, não conseguem conceber como convencer estranhos a contar seus segredos. E todos conhecemos repórteres que não sabem fazer uma requisição usando a Lei de Acesso à Informação e não suportam a ideia de ler a avalanche de documentos que, com sorte, chegam com a resposta.
Você pode ser um bom jornalista sem ser capaz de fazer várias coisas. Mas cada habilidade que você não tem deixa toda uma categoria de histórias e reportagens fora do seu alcance. E histórias baseadas em dados são, normalmente, aquelas que conseguem se esconder debaixo do seu nariz. Continue…

Satélite brasileiro CBERS-3: nem tão fracassado assim

CBERS-3

O satélite CBERS-3 ia nos ajudar, dentre outras coisas, a monitorar a Amazônia de forma autônoma


Então, tá todo mundo zoando de montão o fracasso do lançamento do satélite brasileiro, o CBERS. Esse satélite ia ajudar pra caramba a monitorar a região amazônica. Hoje, dependemos da boa vontade dos EUA para fazer isso. Pode? Estão dizendo que “made in china” dá nisso, que investimos mal em um produto “ching ling”, que o Brasil deveria firmar parcerias com países mais consagrados na corrida espacial etc etc. Erm… mais ou menos. Duas coisas. Continue…

Planetas alienígenas: Nasa explica, em três minutos, como encontrá-los

Por enquanto, a exploração da Via Láctea é feita a partir da Terra, com poderosos telescópios, ou com poderosas sondas lançadas ao espaço

Por enquanto, a exploração da Via Láctea é feita a partir da Terra, com poderosos telescópios, ou com poderosas sondas lançadas ao espaço


Há mundos alienígenas. Eles estão por toda a parte e em diferentes sabores. Foi em 1995 que astrônomos confirmaram a existência de um corpo extrassolar que orbitava outro. Um charmoso planetinha que girava em torno de uma estrela parecida com a nossa. A partir daí, os instrumentos foram ficando cada vez mais sensíveis. Outros mundos foram encontrados aos montes orbitando todo tipo de coisa, até quasares.
Avistar planetas fora do Sistema Solar — e até fora da Via Láctea — não é tarefa fácil, mas o conceito é bastante simples. Há, basicamente, duas formas de confirmar que eles existem, a técnica de trânsito e a técnica de velocidade radial. Bem, ao menos três, mas essa última, chamada de lente gravitacional, depende de condições mais específicas.
Muitos exoplanetas orbitam não uma, mas duas estrelas

Muitos exoplanetas orbitam não uma, mas duas estrelas


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Legalização das drogas: um ou dois argumentos que te farão refletir sobre

Drogas: problema moral ou de polícia?

Drogas: problema moral ou de polícia?


Legalizar ou não? O estado deve ser conivente com o processo de autodestruição de milhares? Ou deve simplesmente regulamentar o espaço e deixar o livre-arbítrio se manifestar? Diminuir o lucro dos traficantes? Ou combatê-los com dinheiro e armas? O usuário é criminoso por consentir com a prática ilegal e financiar o mercado clandestino?
Afinal, qual a natureza da questão sobre as drogas? Moral? Civil? Criminal? Continue…

Wikipédia, inteira, na sua carteira

Não foi o assunto mais comentado do dia, mas com certeza é um dos mais significativos dos últimos anos. Um aplicativo de código livre, chamado Xowa, instala na sua máquina todo o conteúdo da Wikipédia em inglês (e em outras línguas também, se quiser!) — quase quatro milhões e meio de artigos (a lusófona tem pouco mais de 800.000). O que mais chama atenção é que todo esse conteúdo — que vai desde as mais diversas linhas de pensamento filosófico, até perfis de grandes personalidades deste ou daquele tempo, passando por definição de doenças, descrição de plantas, e narrativas de catástrofes e tragédias recentes ou não — cabe em um cartão SD de 128GB, o mesmo que se usa em câmeras fotográficas e aparelhos do tipo (curiosidade: a Wikipédia lusófona ocuparia 7GB).

cartão SD

Todo o conteúdo publicado na Wikipédia em inglês cabe nesse pedacinho de plástico — muito mais que a Bíblia, como mostra a imagem


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Intensivão sobre a China, física com culinária e o funcionamento da medicina

Uma das maiores vantagens de saber conversar com um computador é colocá-lo para realizar tarefas imensamente tediosas. Outro dia precisei fazer a análise de um sem número de matérias publicadas na internet. Eu precisava buscar um termo no Google, clicar no link, copiar o endereço, a data, o título da matéria, lê-la e aplicá-la uma nota baseada em alguns parâmetros — preencher isso tudo em uma tabela. Fazer isso com três ou quatro, vá lá, mas com mais de duas mil matérias tomaria um tempo que ninguém tem. Há um ano, eu teria que abrir mão dessa análise simplesmente por não saber como dizer para o computador que ele, e não eu, deveria realizar essas tarefas. Tirando a parte de ler a matéria e aplicar uma nota, o restante ele faria em alguns minutos. Mas por que estou falando disso? Continue…

Pesquisa: você sabe como funciona o sistema de representação proporcional brasileiro?

O sistema eleitoral brasileiro pode ser confuso pra muita gente, pois utiliza uma abordagem mista. Vereadores e deputados são eleitos diferentemente de presidentes, governadores, prefeitos e senadores. No caso dos deputados e vereadores, trata-se de uma eleição que privilegia os partidos, não os candidatos. A representação é proporcional.
Antes de publicar um posto que entre mais a fundo no sistema que elege nossos legisladores das câmaras peço que respondam com honestidade à pesquisa abaixo. Completamente anônima!