Albert Einstein e a ciência de conta-gotas

É… o Albert Einstein sofreu depois que se formou na universidade. Ele queria porque queria seguir carreira acadêmica, mas o universo conspirou contra. Ninguém o queria como assistente… pode? Acabou conseguindo publicar um paper de forma independente num respeitado periódico da época, mas de zero contribuição para o legado da Física. Arrumou então o que muitos hoje procuram: a estabilidade de um emprego público. Virou parecerista júnior de patentes do governo Suíço. Ganhava mais do que um professor assistente em início de carreira, mas não estava nos entremeios acadêmicos. E pode ter sido justamente isso que nos brindou com sua genialidade… e me pergunto se algo parecido seria possível nos dias de hoje.Exilado atrás de uma mesa cheia de papeis e pedidos de patentes, Einstein teve os sete anos mais produtivos de sua vida. Conseguia resolver seu dia de trabalho em duas ou três horas e passava o restante do tempo absorvido em inquietações particulares, sobre o movimento da luz, a gravidade e algo que explicasse os fenômenos naturais de forma única e elegante. As ideias que culminaram nos papers da relatividade restrita e geral, teorias que causaram impacto na Física não visto desde Isaac Newton, foram destiladas ali, na solitude de um escritório de patentes, longe dos corredores da academia.

Albert Einstein é o cara e você sabe disso

Hoje ele é unanimidade, mas Einstein penou para conseguir se provar no mundo científico


Sem um trabalho formal na universidade, Einstein foi beber na fonte de vários mentores, mas sem dever lealdade a qualquer um deles. Podia ser ousado sem ser desrespeitoso. Não precisava fazer política para manter seu emprego. Podia arriscar sem ser julgado, podia manter o pensamento fresco sem que a bad vibe dos arcanos o deixassem pútrido.
Agora, ao questionamento inicial. Dada a forma como se produz conhecimento científico hoje, seria possível o surgimento de um novo Einstein? Alguém que, de forma solitária (mas não sozinha), independente de qualquer universidade, possa propor algo tão poderoso e que venha a ser eventualmente aceito pelos demais pares? Que possa ganhar espaço em periódicos como Science e Nature? Ou já passamos dessa época e estamos fadados a saltos incrementais, a descobertas científicas de conta-gotas?