Inteligência Artificial: curso gratuito pela Universidade Stanford

Certa vez, o então CEO do Google Eric Schmidt, disse: “Os carros deveriam se dirigir. Termos inventado os carros antes dos computadores é um bug na história do homem”. Schmidt estava falando do carro autodirigível do Google, um projeto que mistura mandinga de ziriguidum e tecnologia e que no fim das contas serve para você economizar no taxi quando for voltar pra casa bêbado e sozinho. Isso e consertar todas as navalhadas que os barbeiros dão no trânsito. E o que isso tem a ver com um curso online e gratuito de introdução à Inteligência Artificial pela Universidade Stanford? Tudo. Continue…

Ateísmo, religião e o meio termo

Semana passada tive uma deliciosa conversa com a filosofa Rebecca Goldstein. O livro mais recente dela (36 Argumentos Para a Existência de Deus, Companhia das Letras, tradução de George Schlesinger, 536 páginas, 59 reais) foi publicado há pouco tempo no Brasil. Não é a primeira vez que abordamos o assunto na editoria de ciência do site de VEJA. No inicio do ano conversei com Sam Harris sobre o livro Moral Landscape, em que o autor defende uma tal de “ciência da moralidade”.

Dessa vez, em vez do energético e polarizado Sam Harris, encontrei uma ateia de voz doce e discurso amigável. Para colocar à prova seu discurso conciliador, fiz provocações e perguntas incômodas durante a entrevista. Rebecca, contudo, consegue como poucos falar de um assunto tão polemico quanto Deus, religião e suas implicações, sem trazer à tona a animosidade da coisa. Uma pena que não pude publicar a íntegra da entrevista. Poucas pessoas alem dos próprios jornalistas se dão conta da quantidade de material que não chega a ser publicado em uma entrevista. O que “vai pro ar” é uma espécie de melhores momentos. Das 30 perguntas que fiz, 10 entraram na matéria. Continue…

Descrer de Deus e a Ciência da Moralidade

Diz um acordo velado, firmado por todos os seres humanos de bem, que não se discute política, futebol e, principalmente, religião. Para fins pacíficos, suspendo esse acordo temporariamente. Algumas pessoas podem argumentar — e com razão — que é possível conversar sobre crença religiosa em alguns momentos, nos quais algumas regras a priori são definidas, mas é só. No mais, é preciso um talento e uma articulação intelectual hercúlea para sequer iniciar um diálogo sensato sobre divergências religiosas. Para que o diálogo seja pacífico, é preciso uma boa vontade entre todas as partes envolvidas, algo raro em disputas desse tipo.
Contestar a religião no mainstream e fazer com que as pessoas te escutem sem te encher de pedradas é praticamente impossível. Primeiro porque as pedras são inerentes ao meio dominante — há sempre alguém disposto a arremessá-las. Segundo porque temos uma longa e triste herança de conflito humano motivado por ideais que tiveram sua origem nas religiões. No apagar das luzes de 2010, contudo, conversei com uma dessas pessoas que possui talento e articulação intelectual suficientes para discordar do pensamento religioso e colocar a discussão em uma escala global. E vieram as pedras. Continue…