2014: O ano em que você vai levar um furo de um jorna-nerd

Em 2014, você vai levar furo de um repórter que sabe programar. Sim, você mesmo. Não o repórter na baia ao lado. Não aquele colega de faculdade. Você.

“Posso dizer então que isso que você falou seria…”


Claro, repórteres não precisam programar. Mas há muitas coisas que repórteres não precisam saber como fazer. Eles também não precisam saber escrever — muitos “artistas do furo” mal conseguem escrever seus nomes e seus textos são reescritos por santos editores. Vários que sabem escrever muito bem são do tipo acanhado, não conseguem conceber como convencer estranhos a contar seus segredos. E todos conhecemos repórteres que não sabem fazer uma requisição usando a Lei de Acesso à Informação e não suportam a ideia de ler a avalanche de documentos que, com sorte, chegam com a resposta.
Você pode ser um bom jornalista sem ser capaz de fazer várias coisas. Mas cada habilidade que você não tem deixa toda uma categoria de histórias e reportagens fora do seu alcance. E histórias baseadas em dados são, normalmente, aquelas que conseguem se esconder debaixo do seu nariz. Continue…

NICAR 2013, geeks e o futuro do jornalismo

NICAR 2013
Terminou no último domingo (3) em Louisville, Kentucky, a NICAR 2013, a maior conferência de “reportagem com o auxílio do computador” (“CAR” em inglês, ou “RAC” em português) do mundo. Mais de 600 jornalistas se reuniram na terra do bourbon para trocar ideias sobre jornalismo guiado por dados, programação e melhores formas de colocar a tecnologia à serviço do jornalismo. E beber muito whisky. O Brasil teve apenas dois representantes, Roberto Rocha, jornalista digital do Montreal Gazette, e eu.
NICAR significa “National Institute for Computer Assisted Reporting”, criado no meio da década de 1990 para reunir jornalistas que estava usando o computador em investigações jornalísticas. Tem sede na Universidade de Missouri, nos EUA, e está sob a chancela do IRE, Investigative Reporters and Editors, a “ABRAJI” dos EUA.
Muitas lições aprendidas. Continue…

Data journalism: por onde começar?

David Weisz, um jornalista “novato” (em suas próprias palavras) na comunidade do NICAR (National Institute for Computer-Assisted Reporting), nos EUA, lançou a seguinte pergunta na lista de discussões:
Quais são as 5 linguagens de programação/aplicativos/habilidades essenciais para aspirantes em data journalism?
As respostas que se seguiram foram variadas, mas todas muito valiosas. Continue…

Lista de termos estatísticos usados em pesquisas (parte 2)

Esse post finaliza a lista de ontem sobre os termos estatísticos que jornalistas deveriam saber. O post original foi publicado pelo blog Journalist’s Resource e recomendado pelo José Roberto de Toledo. Em frente: Continue…

Lista de termos estatísticos usados em pesquisas (parte 1)

O blog Journalist’s Resource (de Harvard) publicou recentemente termos de estatística usados em pesquisas, uma espécie de cartilha para jornalistas. Quem precisa escrever reportagens baseadas em estudos que apresentam números, dados e planilhas, normalmente encontra também uma avalanche de termos como “inferência estatística”, “viés de seleção” e “margem de erro”. O significado de alguns deles podem ser facilmente deduzidos, mas realmente sabemos o que eles significam? Se você não tem certeza, prossiga.
Sabemos que um curso de estatística é algo valioso, mas é algo que raramente está no topo das nossas prioridades. Contudo, é vital que tenhamos conhecimento além dos resumos dessas pesquisas. Temos que entender os métodos e conceitos que formam a base fundamental dos estudos acadêmicos para podermos julgar com o melhor de nossa capacidade os méritos daquilo que servirá de pilar para nossas reportagens. Não foi à toa que José Roberto de Toledo, um dos precursores e guru de RAC (Reportagem com Auxílio de Computador) no Brasil, sugeriu a leitura, tradução e arquivamento da cartilha. Pois bem, aqui vai uma mãozinha.
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Um gostinho da visualização de dados no Brasil: bons exemplos que devemos seguir

O blog Visualising data fez um apelo recentemente aos quatro cantos do mundo. Eles queriam ouvir histórias interessantes sobre projetos de visualização de dados acontecendo em qualquer parte do globo. A série de posts foi aberta por Alberto Cairo, diretor de infografia e multimídia da revista Época. Alberto dispensa apresentações, mas vou apresentá-lo assim mesmo.
Alberto Cairo é um profissional extremamente ativo na área de notícias interativas. É uma espécie de Aron Pilhofer da revista/site Época, apesar de ter mais destaque na área de design do que em jornalismo, como é o caso do Aron. Já foi chefe do setor de infografia do site do El Mundo, já deu aula na Universidade da Carolina do Norte (para jornalistas), já ganhou diversos prêmios internacionais com infográficos, já escreveu um livro sobre infografia na imprensa (que a propósito, está na minha cabeceira) e está escrevendo outros. As credenciais continuam, mas já deu para perceber que ele é uma autoridade para qualquer um que estude data journalism, visualização de dados e notícias interativas. Continue…

O dia em que 'data journalism' se tornou 'Notícias Interativas'

No início do ano comentei no post “O que é data journalism?” que um dos principais objetivos desse blog é divulgar e descobrir essa coisa que na época eu chamava ‘data journalism’. Chamava. Áreas emergentes do conhecimento não têm as mesmas regalias daquelas já consolidadas. Elas não têm definição precisa, não têm maturidade. Os nomes que damos em determinado momento dão vagamente conta daquilo que conhecemos. À medida que a jornada acontece você troca experiências, desenvolve raciocínios e descobre novos horizontes. Na minha caminhada, descobri que, pra mim, data journalism é um afluente de algo maior. Algo que a partir de agora chamo de Notícias Interativas. Por quê? Continue…

Inteligência Artificial: curso gratuito pela Universidade Stanford

Certa vez, o então CEO do Google Eric Schmidt, disse: “Os carros deveriam se dirigir. Termos inventado os carros antes dos computadores é um bug na história do homem”. Schmidt estava falando do carro autodirigível do Google, um projeto que mistura mandinga de ziriguidum e tecnologia e que no fim das contas serve para você economizar no taxi quando for voltar pra casa bêbado e sozinho. Isso e consertar todas as navalhadas que os barbeiros dão no trânsito. E o que isso tem a ver com um curso online e gratuito de introdução à Inteligência Artificial pela Universidade Stanford? Tudo. Continue…

Processing: visualização de dados inteligente para os (nem tão) leigos

Semana passada, além de ter conversado com a filósofa Rebecca Goldstein sobre o meio termo entre ateísmo e religião, participei de um workshop muito interessante na Editora Abril sobre Processing e visualização de dados. O minicurso foi dado pelo Gabriel Gianordoli, ex-designer da revista Superinteressante, hoje responsável pela editoria de arte da revista Época Negócios.
O Processing é uma linguagem de programação que se manifesta em um programinha muito poderoso. O aplicativo em si é parecido com um bloco de notas mais estribado que funciona como se fosse um Illustrator/InDesign/Wings3D programável. Começou a ser desenvolvido em 2001 no MIT por  Casey Reas e Benjamin Fry para ser uma ferramenta de visualização de dados robusta feita para pessoas que nunca programaram. Em cima do Java, criaram uma sintaxe orientada a objeto mais simples, capaz de gerar gráficos estáticos ou animados e até soluções interativas tridimensionais.
O Gianordoli fez vários infográficos para a revista Superinteressante utilizando o programa e vários designers no mundo inteiro têm explorado a ferramenta de maneira promíscua. Não que isso seja ruim. O exemplo mais emblemático do que se pode fazer com Processing é um projeto do jornal The New York Times bem firulado chamado Cascade. Confira no vídeo abaixo, ele é autoexplicativo. Continue…

"Data journalism não existe"

Ben Hammersley descreve o trabalho que faz como “rodar o mundo atrás das coisas mais legais”. O jornalista e fotógrafo de 34 anos é editor da versão inglesa da revista Wired, programador, ultramaratonista e pugilista. Também faz reportagens para a BBC, cobriu guerras e cunhou a palavra ‘podcast’. Além disso, o britânico foi escolhido para presidir a Campus Party USA, em 2012. “Será duas vezes maior que a brasileira e vamos lançar um foguete”, jura.
Hammersley foi o primeiro repórter de internet do The Times e fundou a rede de blogs do The Guardian. Fanático por mulheres de biquini, o simpático Ben esteve no Brasil para mediar o bate-papo entre Al Gore e Tim Berners-Lee durante a nossa Campus Party e para visitar algumas redações. Enquanto esteve na Editora Abril, conversamos rapidamente sobre data journalism. Falando sobre o futuro, deu um mini-curso de jornalismo. Confira na entrevista a seguir. Continue…