Data journalism: por onde começar?

David Weisz, um jornalista “novato” (em suas próprias palavras) na comunidade do NICAR (National Institute for Computer-Assisted Reporting), nos EUA, lançou a seguinte pergunta na lista de discussões:
Quais são as 5 linguagens de programação/aplicativos/habilidades essenciais para aspirantes em data journalism?
As respostas que se seguiram foram variadas, mas todas muito valiosas. Daniel Lathrop, editor de news apps do The Dallas Morning News, foi objetivo. “Escolha um projeto/reportagem que gostaria de fazer e parece estar fora do alcance”, escreveu. “Descubra o que precisa e aprenda – a melhor ferramenta é aquela que você precisa para fazer algo”.
Aron Pilhofer, diretor de Interatividade do The New York Times, foi mais reflexivo. Ele disse que o mais importante é saber que o jornalismo continua sendo jornalismo. Em uma palavra: reportar. “Ou seja, você tem que saber como pegar um telefone e não assumir que as informações que te passam (especialmente dados do governo) são completas e precisas”.
Um aspirante a data journalism também precisa ter, pelo menos, habilidades básicas com dados, segundo Pilhofer. “Isso quer dizer que você precisa se virar com planilhas”, escreveu. É preciso descobrir formas de importar os dados e fazer alguma coisa com eles e entender o básico sobre análise de dados: taxas, médias, somas, medianas etc. Além disso, é importante ter o domínio de técnicas mais avançadas de análise de dados, como GIS, estatística e SQL.
Aron destacou a necessidade de se saber técnicas básicas de programação (em qualquer linguagem à escolha de cada um, como Python, Perl, Ruby, até mesmo .NET) para conseguir dados da internet de forma automatizada, o que dá-se o nome de “scrape”.
Só depois de considerar esses pontos, acredita Pilhofer, o aspirante a “jornalista de dados” poderá aplicar as técnicas para criar aplicativos de internet de cunho jornalístico usando ferramentas como o Google Maps, MapBox, Fusion Tables etc. A ideia é “não usar servidores ou criar aplicativos baseados em banco de dados”, escreveu. “Mas você pode usar criativamente o que está disponível para fazer reportagens online – talvez aqui você precise treinar Javascript”.
O último item na lista de importância de Pilhofer é aprender a programar em uma framework voltada para a web, como Django, Rails ou Grails. “Isso vai melhorar a qualidade das suas reportagens online por meio de aplicativos guiados por dados que você vai criar do zero e hospedar”.