Esqueça o iPad, o *celular* será o próximo PC

Você já deve ter ouvido que 2011 será o ano das tablets. E com razão. O CES termina hoje e o que mais se vê são lançamentos em todas as direções de tabletstablets e mais tablets. O PlayBook da RIM está quase pronto. O Google surpreendeu com o Honeycomb. Até o quase vaporware Notion Ink Adam deu as caras. Sério, ninguém mais aguenta ouvir falar de tablets. E parece que ninguém percebeu que o lançamento mais impressionante do CES não foi o de uma tablet.
2011 registrou algo muito mais profundo. Algo que desenha o futuro do consumo de eletrônicos a longo prazo e que não recebeu tanto destaque por causa da avanlanche de iPad-killers-wannabe.
No meio da bagunça a Motorola anunciou um curioso celular baseado no Android Froyo, chamado Atrix 4G. Curioso porque ele não é só um celular. O Atrix 4G é um celular que vira um PC. Imagine ligar um monitor, um teclado e um mouse no seu iPhone e ele carregar automaticamente o MacOSX, com todos os recursos de um desktop. É tipo isso, só que alguns anos antes disso acontecer.
Dual core, 1Gb de Ram, saída HDMI. Parece anúncio de computador na televisão, algo que esse post está começando a se parecer. Enfim, essas são algumas das especificações do novo celular, que o colocam em paridade com muito desktop e com a maioria dos netbooks por aí.
A Motorola tunou o Froyo de tal modo que você acopla o Atrix 4G em uma espécie de dock e ele vira um computador de mesa. A empresa até criou um nome para facilitar o marketing — Webtop. Quando grudado no dock, o sistema operacional se transforma em uma versão torta do MacOSX que consegue fazer “90% do que a maioria das pessoas faz no computador”, diz o marqueteiro da Motorola no video do Engadget.
A empresa também exibiu uma solução para laptops, conectando o aparelho a uma carcassa com tela, teclado e mousepad, mas isso não dá liga. Quem iria comprar, além de um celular, uma carcassa de laptop? Talvez a ideia pegue, mas é muito mais sensato alguém que já tem monitor, teclado e mouse sair lucrando nisso aí.
Péssima notícia para os espaçosos gabinetes, que irão perder a utilidade gradativamente de agora em diante. À medida em que as especificações técnicas dos celulares se aproximam dos computadores de mesa, nos aproximamos do dia em que o nosso celular será o principal agregador dos nossos hábitos digitais.
Mal posso esperar o dia em que vou chegar em casa e meu celular irá reconhecer automaticamente meu monitor/teclado/mouse e se comportar como um desktop de bolso, tudo sem-fio. Mas para isso acontecer, falta aprimorarem o HDMI wireless, inventarem uma projeção de tela holográfica manipulável com gestos e/ou incorporarem um teclado assim. Que seja mais cedo do que tarde porque do jeito que está, vamos ficar nessa dieta babada de tablets por algum tempo.