O que é data journalism?

Entender, explicar e divulgar “data journalism” são alguns dos objetivos principais desse blog. Nesse post de abertura da categoria vou reunir as ideias mais importantes que estão surgindo em volta desse jornalismo “guiado por dados”. A ideia é tentar apontar a direção para onde a resposta possa estar e abrir a discussão para os posts que virão. Por falta de um nome melhor, por enquanto vamos usar a expressão em inglês.

Um novo entrevistado

Data journalism é um modo de exercício do jornalismo centrado em dados. Essa classificação vem emergindo de alguns anos pra cá e coincide com o crescimento da web, da criação de ferramentas de visualização de dados e da disponibilização ampla de informações por meio da internet. Ela não é restrita ao jornalismo de banco de dados, já existente há muitos anos.
Não se trata também de utilizar dados estatísticos para pincelar o texto jornalístico. No data journalism, o banco de dados torna-se um entrevistado, ou no jargão da profissão, ‘vira a fonte da matéria’.

Jornalista detetive

Considere o WikiLeaks, um massivo banco de dados com uma infinidade de informações. Para que o leitor possa entender o que há de relevante no WikiLeaks, o jornalista precisa fazer um trabalho de investigação pesado no mar de letras, números e símbolos. Esse trabalho passa por realizar buscas no banco de dados para perceber padrões e formas de visualização da informação, traçar conexões e fazer as perguntas certas.
Com o material em mãos, o jornalista decide a melhor maneira de contar a história revelada pelos dados. Pode ser um infográfico, uma ferramenta de navegação ou um texto clássico. As revelacões contidas nos arquivos do WikiLeaks ganham um papel diferenciado nas matérias jornalísticas inspiradas no projeto.
Esse é um dos pontos centrais do data journalism: os dados são protagonistas e não apenas recursos para legitimar uma determinada conclusão.

Dados públicos

Quando a fonte do jornalista é uma pessoa, qualquer um que queira conferir se o repórter não distorceu o que foi dito terá que falar com o entrevistado de novo. É o que define a nossa credibilidade. Quando o entrevistado passa a ser o banco de dados, a única maneira de garantir essa mesma credibilidade e fomentar uma discussão saudável é fazer com que as informações sejam acessíveis por todos. Caso contrário, seria o mesmo que utilizar fontes anônimas – as pessoas precisariam confiar no que está escrito sem qualquer garantia.
O próximo post irá listar alguns exemplos que vão além do WikiLeaks e mostram como alguns dos maiores jornais do mundo estão abusando do data journalism para publicar histórias relevantes.