Uma reflexão sobre o plebiscito de Dilma

Pensando melhor sobre o plebiscito que a Dilma anunciou ontem de tarde, lendo, ouvindo e vendo vários comentários de juristas, deputados e pitaqueiros de plantão, os caminhos que poderiam apontar para uma suposta reforma política, na verdade, desenham um cenário que merece a mais profunda reflexão. Longe de cometer o mesmo erro que cometi durante a tarde e nesse post de sábado, o de me juntar apaixonadamente ao coro que apoiou o anúncio da Dilma, convido a todos para pensarem sobre a questão com muitíssima cautela.
Primeiro, vamos aos fatos. A presidente não fez, a rigor, nenhuma proposta concreta ao povo brasileiro. Ela disse exatamente o seguinte sobre o plebiscito:
“Quero, nesse momento, propor o debate sobre a convocação de um plebiscito popular que autorize o funcionamento de um processo constituinte específico para fazer a reforma política que o país tanto necessita.”
Seria bom ler a frase pausadamente, palavra por palavra. Uma ajudinha:
Quero. Propor. Debate. Sobre a convocação. Plebiscito.
A presidente, na verdade, e desculpem a redundância, quer propor o debate sobre a convocação de um plebiscito popular. Esse plebiscito, se assim o povo decidir, autoriza o funcionamento de um processo constituinte específico. Essa Constituinte faria, supostamente, a reforma política que o país tanto necessita. Continue…

Não, meu partido não é o Brasil. Nem o seu deveria ser.

Gente, para um pouco agora. Pensa. Pensa no que está acontecendo nas ruas, pensa nas mensagens que estão sendo ditas. Pensa no sentimento que está ganhando forma. Enquanto você reflete aí, me responde: o que é uma democracia? Já volto nisso.
Passando pela Paulista hoje, o clima de carna-protesto me deixou meio tenso. Vi dezenas, senão centenas, de pessoas com cartazes exibindo diferentes mensagens. A maioria era inofensiva, da cura gay, passando pela PEC 37, até fora corruptos.
Mas tinha uma minoria de mensagens que sempre ganhava mais força nos gritos de ordem. “Ei, <partido>, vai tomar no cu.” Ou, “Ei, <partido>, vai se fuder, o nosso movimento não precisa de você.” Faixas grandes exibiam em letras garrafais “O MEU PARTIDO É O BRASIL”, ou “Eu sou apartidário”. Ou ainda coisas esdrúxulas como a hostilização dos profissionais de imprensa. As pessoas estão gritando nas ruas que não precisam dos jornalistas.
Hoje, em Brasília, pessoas tacaram fogo no Itamaraty enquanto tentavam invadir o prédio. No Rio, a população entrou em confronto direto com a polícia. Em Porto Alegre, alguns tentavam saquear o centro. Em Ribeirão Preto uma família acabou de perder seu filho, morto atropelado durante a manifestação.
Não gente. Assim não. Continue…

NICAR 2013, geeks e o futuro do jornalismo

NICAR 2013
Terminou no último domingo (3) em Louisville, Kentucky, a NICAR 2013, a maior conferência de “reportagem com o auxílio do computador” (“CAR” em inglês, ou “RAC” em português) do mundo. Mais de 600 jornalistas se reuniram na terra do bourbon para trocar ideias sobre jornalismo guiado por dados, programação e melhores formas de colocar a tecnologia à serviço do jornalismo. E beber muito whisky. O Brasil teve apenas dois representantes, Roberto Rocha, jornalista digital do Montreal Gazette, e eu.
NICAR significa “National Institute for Computer Assisted Reporting”, criado no meio da década de 1990 para reunir jornalistas que estava usando o computador em investigações jornalísticas. Tem sede na Universidade de Missouri, nos EUA, e está sob a chancela do IRE, Investigative Reporters and Editors, a “ABRAJI” dos EUA.
Muitas lições aprendidas. Continue…