Descrer de Deus e a Ciência da Moralidade

Diz um acordo velado, firmado por todos os seres humanos de bem, que não se discute política, futebol e, principalmente, religião. Para fins pacíficos, suspendo esse acordo temporariamente. Algumas pessoas podem argumentar — e com razão — que é possível conversar sobre crença religiosa em alguns momentos, nos quais algumas regras a priori são definidas, mas é só. No mais, é preciso um talento e uma articulação intelectual hercúlea para sequer iniciar um diálogo sensato sobre divergências religiosas. Para que o diálogo seja pacífico, é preciso uma boa vontade entre todas as partes envolvidas, algo raro em disputas desse tipo.
Contestar a religião no mainstream e fazer com que as pessoas te escutem sem te encher de pedradas é praticamente impossível. Primeiro porque as pedras são inerentes ao meio dominante — há sempre alguém disposto a arremessá-las. Segundo porque temos uma longa e triste herança de conflito humano motivado por ideais que tiveram sua origem nas religiões. No apagar das luzes de 2010, contudo, conversei com uma dessas pessoas que possui talento e articulação intelectual suficientes para discordar do pensamento religioso e colocar a discussão em uma escala global. E vieram as pedras. Continue…