Uma reflexão sobre o plebiscito de Dilma

Pensando melhor sobre o plebiscito que a Dilma anunciou ontem de tarde, lendo, ouvindo e vendo vários comentários de juristas, deputados e pitaqueiros de plantão, os caminhos que poderiam apontar para uma suposta reforma política, na verdade, desenham um cenário que merece a mais profunda reflexão. Longe de cometer o mesmo erro que cometi durante a tarde e nesse post de sábado, o de me juntar apaixonadamente ao coro que apoiou o anúncio da Dilma, convido a todos para pensarem sobre a questão com muitíssima cautela.
Primeiro, vamos aos fatos. A presidente não fez, a rigor, nenhuma proposta concreta ao povo brasileiro. Ela disse exatamente o seguinte sobre o plebiscito:
“Quero, nesse momento, propor o debate sobre a convocação de um plebiscito popular que autorize o funcionamento de um processo constituinte específico para fazer a reforma política que o país tanto necessita.”
Seria bom ler a frase pausadamente, palavra por palavra. Uma ajudinha:
Quero. Propor. Debate. Sobre a convocação. Plebiscito.
A presidente, na verdade, e desculpem a redundância, quer propor o debate sobre a convocação de um plebiscito popular. Esse plebiscito, se assim o povo decidir, autoriza o funcionamento de um processo constituinte específico. Essa Constituinte faria, supostamente, a reforma política que o país tanto necessita. Continue…

Não se iluda, Constituinte também terá Felicianos

A cada quatro anos nós vamos às urnas votar em deputados federais e senadores. Chegamos lá, apertamos uns numerozinhos, aparece a foto do camarada, e pressionamos o verde. Quem é aquele cidadão? Um político. Ok. Mas o povo está insatisfeito, não se sente representado, e alguém resolve convocar uma constituinte exclusiva para a reforma política. Ou “propor o debate sobre a convocação de um plebiscito popular que autorize o funcionamento de um processo constituinte específico para fazer a reforma política”.
A suposição é que os constituintes não estarão contaminados pelo risco de perder o mandato e enfim poderão fazer a tão sonhada reforma que o Brasil precisa. E quem serão os constituintes? “Gente da sociedade civil”, diz a resposta mais batida. E que raios são os políticos? “Gente da sociedade militar”? Ou são empresários, médicos, professores, sindicalistas, servidores, pastores e outros cidadãos que optaram por disputar uma eleição? Continue…

Constituinte exclusiva para reforma política em um ano. Dá?

Esqueça por um momento a ojeriza que você tem em relação a políticos e concentre-se no conteúdo. O senador Cristóvam Buarque (PDT-DF) propôs a criação de uma constituinte exclusiva para uma reforma política, no prazo de um ano. Quem participar, não pode ser candidato. “Só assim os jovens que estão nas ruas se sentirão representados no governo”, disse.
Diante de todos os quero-isso-e-aquilo, uma reforma política profunda, agora, me parece o objetivo mais palpável que temos no momento. Se essa constituinte sair, essa revolução pela qual estamos passando terá um objetivo, um fim e uma cara.
Se essa revolução precisa de um objetivo, que ele seja a transformação completa da política brasileira, que há tanto tempo é objeto de nojo da nossa geração. E aí, dá?
#constituinteJá!
Edição:
Desde que a presidente anunciou que proporia um plebiscito sobre essa tal Constituinte, muito foi discutido e refletido sobre o assunto. Por favor, considerem a leitura:
Não se iluda, Constituinte também terá Felicianos
Uma reflexão sobre o plebiscito de Dilma