2014: O ano em que você vai levar um furo de um jorna-nerd

Em 2014, você vai levar furo de um repórter que sabe programar. Sim, você mesmo. Não o repórter na baia ao lado. Não aquele colega de faculdade. Você.

“Posso dizer então que isso que você falou seria…”


Claro, repórteres não precisam programar. Mas há muitas coisas que repórteres não precisam saber como fazer. Eles também não precisam saber escrever — muitos “artistas do furo” mal conseguem escrever seus nomes e seus textos são reescritos por santos editores. Vários que sabem escrever muito bem são do tipo acanhado, não conseguem conceber como convencer estranhos a contar seus segredos. E todos conhecemos repórteres que não sabem fazer uma requisição usando a Lei de Acesso à Informação e não suportam a ideia de ler a avalanche de documentos que, com sorte, chegam com a resposta.
Você pode ser um bom jornalista sem ser capaz de fazer várias coisas. Mas cada habilidade que você não tem deixa toda uma categoria de histórias e reportagens fora do seu alcance. E histórias baseadas em dados são, normalmente, aquelas que conseguem se esconder debaixo do seu nariz. Continue…

Ferramenta organiza e visualiza dados da educação básica brasileira

Ontem conheci uma ferramenta muito interessante, lançada em agosto de 2012, chamada Qedu. Parceria entre a fundação lemann e a Mettric, é um excelente exemplo de como o governo deveria fazer visualização de dados.

A escola onde estudei até a sexta série vai até muito bem em relação ao resto do Brasil

A escola onde estudei até a sexta série vai muito bem em relação ao resto do Brasil


O Qedu organiza dados da Prova Brasil e do Censo Escolar de todo o país. Com interface incrivelmente amigável, qualquer um consegue fazer análises gerais da educação brasileira, quanto mergulhar profundamente até sabe como vai a escolinha que fica nos cafundós da rembimboca da parafuseta. O site é tão complexo, e ao mesmo tempo tão simples de mexer, que chega a ser ridículo. É também o paraíso dos viciados em dados, que podem exportar tudo para csv, xls, pdf, fazer comparações entre estados, cidades, regiões geográficas e exibir tudo em quadros ou mapas.
Seria o Qedu um modelo a ser replicado para outros setores (segurança pública, desenvolvimento social, saúde…)?
 

Investigando a qualidade da educação com dados públicos

Começou hoje em São Paulo o curso Investigando a qualidade da educação com dados públicos. Uma parceria da fundação lemann, da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) e o Insper. Representando diversos veículos, 30 jornalistas vão escarafunchar técnicas e práticas para melhor cobrir a pauta da educação no Brasil. Um detalhe legal: dos 25 presentes, quatro são homens.

Onde achar os dados sobre a educação no Brasil?


Serão 12 horas de curso, dividas em três manhãs. A primeira vai se dedicar ao acesso à educação e indicadores de qualidade. A segunda sobre Ideb, Enem e Pisa, e como avaliá-los por meio dos dados. A última sessão vai discutir a melhor forma de cruzar todos esses dados. Antonio Gois, jornalista do O GLOBO e vencedor do Prêmio Esso de 2012 vai contar como foram os bastidores da série vencedora.
Ao fim, os jornalistas são convidados a entregar um projeto de pauta.
 

NICAR 2013, geeks e o futuro do jornalismo

NICAR 2013
Terminou no último domingo (3) em Louisville, Kentucky, a NICAR 2013, a maior conferência de “reportagem com o auxílio do computador” (“CAR” em inglês, ou “RAC” em português) do mundo. Mais de 600 jornalistas se reuniram na terra do bourbon para trocar ideias sobre jornalismo guiado por dados, programação e melhores formas de colocar a tecnologia à serviço do jornalismo. E beber muito whisky. O Brasil teve apenas dois representantes, Roberto Rocha, jornalista digital do Montreal Gazette, e eu.
NICAR significa “National Institute for Computer Assisted Reporting”, criado no meio da década de 1990 para reunir jornalistas que estava usando o computador em investigações jornalísticas. Tem sede na Universidade de Missouri, nos EUA, e está sob a chancela do IRE, Investigative Reporters and Editors, a “ABRAJI” dos EUA.
Muitas lições aprendidas. Continue…

Data journalism: por onde começar?

David Weisz, um jornalista “novato” (em suas próprias palavras) na comunidade do NICAR (National Institute for Computer-Assisted Reporting), nos EUA, lançou a seguinte pergunta na lista de discussões:
Quais são as 5 linguagens de programação/aplicativos/habilidades essenciais para aspirantes em data journalism?
As respostas que se seguiram foram variadas, mas todas muito valiosas. Continue…

Um gostinho da visualização de dados no Brasil: bons exemplos que devemos seguir

O blog Visualising data fez um apelo recentemente aos quatro cantos do mundo. Eles queriam ouvir histórias interessantes sobre projetos de visualização de dados acontecendo em qualquer parte do globo. A série de posts foi aberta por Alberto Cairo, diretor de infografia e multimídia da revista Época. Alberto dispensa apresentações, mas vou apresentá-lo assim mesmo.
Alberto Cairo é um profissional extremamente ativo na área de notícias interativas. É uma espécie de Aron Pilhofer da revista/site Época, apesar de ter mais destaque na área de design do que em jornalismo, como é o caso do Aron. Já foi chefe do setor de infografia do site do El Mundo, já deu aula na Universidade da Carolina do Norte (para jornalistas), já ganhou diversos prêmios internacionais com infográficos, já escreveu um livro sobre infografia na imprensa (que a propósito, está na minha cabeceira) e está escrevendo outros. As credenciais continuam, mas já deu para perceber que ele é uma autoridade para qualquer um que estude data journalism, visualização de dados e notícias interativas. Continue…

O dia em que 'data journalism' se tornou 'Notícias Interativas'

No início do ano comentei no post “O que é data journalism?” que um dos principais objetivos desse blog é divulgar e descobrir essa coisa que na época eu chamava ‘data journalism’. Chamava. Áreas emergentes do conhecimento não têm as mesmas regalias daquelas já consolidadas. Elas não têm definição precisa, não têm maturidade. Os nomes que damos em determinado momento dão vagamente conta daquilo que conhecemos. À medida que a jornada acontece você troca experiências, desenvolve raciocínios e descobre novos horizontes. Na minha caminhada, descobri que, pra mim, data journalism é um afluente de algo maior. Algo que a partir de agora chamo de Notícias Interativas. Por quê? Continue…

Processing: visualização de dados inteligente para os (nem tão) leigos

Semana passada, além de ter conversado com a filósofa Rebecca Goldstein sobre o meio termo entre ateísmo e religião, participei de um workshop muito interessante na Editora Abril sobre Processing e visualização de dados. O minicurso foi dado pelo Gabriel Gianordoli, ex-designer da revista Superinteressante, hoje responsável pela editoria de arte da revista Época Negócios.
O Processing é uma linguagem de programação que se manifesta em um programinha muito poderoso. O aplicativo em si é parecido com um bloco de notas mais estribado que funciona como se fosse um Illustrator/InDesign/Wings3D programável. Começou a ser desenvolvido em 2001 no MIT por  Casey Reas e Benjamin Fry para ser uma ferramenta de visualização de dados robusta feita para pessoas que nunca programaram. Em cima do Java, criaram uma sintaxe orientada a objeto mais simples, capaz de gerar gráficos estáticos ou animados e até soluções interativas tridimensionais.
O Gianordoli fez vários infográficos para a revista Superinteressante utilizando o programa e vários designers no mundo inteiro têm explorado a ferramenta de maneira promíscua. Não que isso seja ruim. O exemplo mais emblemático do que se pode fazer com Processing é um projeto do jornal The New York Times bem firulado chamado Cascade. Confira no vídeo abaixo, ele é autoexplicativo. Continue…

"Data journalism não existe"

Ben Hammersley descreve o trabalho que faz como “rodar o mundo atrás das coisas mais legais”. O jornalista e fotógrafo de 34 anos é editor da versão inglesa da revista Wired, programador, ultramaratonista e pugilista. Também faz reportagens para a BBC, cobriu guerras e cunhou a palavra ‘podcast’. Além disso, o britânico foi escolhido para presidir a Campus Party USA, em 2012. “Será duas vezes maior que a brasileira e vamos lançar um foguete”, jura.
Hammersley foi o primeiro repórter de internet do The Times e fundou a rede de blogs do The Guardian. Fanático por mulheres de biquini, o simpático Ben esteve no Brasil para mediar o bate-papo entre Al Gore e Tim Berners-Lee durante a nossa Campus Party e para visitar algumas redações. Enquanto esteve na Editora Abril, conversamos rapidamente sobre data journalism. Falando sobre o futuro, deu um mini-curso de jornalismo. Confira na entrevista a seguir. Continue…