Não se iluda, Constituinte também terá Felicianos

A cada quatro anos nós vamos às urnas votar em deputados federais e senadores. Chegamos lá, apertamos uns numerozinhos, aparece a foto do camarada, e pressionamos o verde. Quem é aquele cidadão? Um político. Ok. Mas o povo está insatisfeito, não se sente representado, e alguém resolve convocar uma constituinte exclusiva para a reforma política. Ou “propor o debate sobre a convocação de um plebiscito popular que autorize o funcionamento de um processo constituinte específico para fazer a reforma política”.
A suposição é que os constituintes não estarão contaminados pelo risco de perder o mandato e enfim poderão fazer a tão sonhada reforma que o Brasil precisa. E quem serão os constituintes? “Gente da sociedade civil”, diz a resposta mais batida. E que raios são os políticos? “Gente da sociedade militar”? Ou são empresários, médicos, professores, sindicalistas, servidores, pastores e outros cidadãos que optaram por disputar uma eleição? Continue…

PEC 33: você é contra, eu sou meio a favor

Além dos cartazes sobre a PEC 37, já vi também vários nas ruas que pedem o fim da PEC 33, a Proposta de Emenda Constitucional que, supostamente, pretende colocar um cabresto no Supremo Tribunal Federal. Em vez de escrever um cartaz dizendo que sou contra a PEC 33, depois de ler muito sobre o assunto, meu cartaz ficaria assim:

mtrpires é meio contra a PEC 33

Nem tudo é preto e branco, gente.


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Não, meu partido não é o Brasil. Nem o seu deveria ser.

Gente, para um pouco agora. Pensa. Pensa no que está acontecendo nas ruas, pensa nas mensagens que estão sendo ditas. Pensa no sentimento que está ganhando forma. Enquanto você reflete aí, me responde: o que é uma democracia? Já volto nisso.
Passando pela Paulista hoje, o clima de carna-protesto me deixou meio tenso. Vi dezenas, senão centenas, de pessoas com cartazes exibindo diferentes mensagens. A maioria era inofensiva, da cura gay, passando pela PEC 37, até fora corruptos.
Mas tinha uma minoria de mensagens que sempre ganhava mais força nos gritos de ordem. “Ei, <partido>, vai tomar no cu.” Ou, “Ei, <partido>, vai se fuder, o nosso movimento não precisa de você.” Faixas grandes exibiam em letras garrafais “O MEU PARTIDO É O BRASIL”, ou “Eu sou apartidário”. Ou ainda coisas esdrúxulas como a hostilização dos profissionais de imprensa. As pessoas estão gritando nas ruas que não precisam dos jornalistas.
Hoje, em Brasília, pessoas tacaram fogo no Itamaraty enquanto tentavam invadir o prédio. No Rio, a população entrou em confronto direto com a polícia. Em Porto Alegre, alguns tentavam saquear o centro. Em Ribeirão Preto uma família acabou de perder seu filho, morto atropelado durante a manifestação.
Não gente. Assim não. Continue…

Data journalism como defensor da democracia

“Saiam às ruas e façam uma revolução se for preciso”, disse Tim Berners-Lee. O pai da World Wide Web não estava brincando. No bate-papo desta terça-feira no palco principal da quarta edição da Campus Party Brasil, o engenheiro britânico trocou ideias com o ex-vice-presidente americano e vencedor do Nobel da paz de 2007, Al Gore, sobre como manter a web e a internet abertas e gratuitas para o fortalecimento do data journalism e como ele pode servir de ferramenta para salvar o mundo da tirania, do limite à liberdade individual e das mudanças climáticas causadas pelo homem. O debate foi mediado por Ben Hammersley, editor senior da Wired, presidente da Campus Party USA e alguém que voltaremos a falar sobre na próxima sexta-feira (21) segunda (24). Continue…