Leonard Mlodinow, físico, escritor e sobrevivente do 11 de setembro

A queda do World Trade Center no dia 11 de setembro de 2001 completa 10 anos. Uma marca permanente na história, principalmente para aqueles que sobreviveram para contar o que aconteceu. No terraço de um luxuoso hotel na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, o físico americano Leonard Mlodinow observava o pôr do Sol que desenhava a paisagem urbana da cidade carioca. Não só ele, vários outros turistas estrangeiros faziam o mesmo em uma piscina a poucos metros de onde o escritor conversou comigo, durante a tarde de quinta-feira.
Ao longe, um avião passava silencioso. Interrompendo bruscamente uma resposta que dava, o escritor questionou, apreensivo: “Está vendo aquele avião? Ele não estaria muito inclinado?”. O que há poucos instantes era um momento relaxante se transformou em uma repentina explosão de lembranças do 11 de setembro. Um único avião, a milhares de metros de distância, um minúsculo detalhe no céu, foi capaz de tirar a concentração do físico e trazer o atentado terrorista à tona. Continue…

Ateísmo, religião e o meio termo

Semana passada tive uma deliciosa conversa com a filosofa Rebecca Goldstein. O livro mais recente dela (36 Argumentos Para a Existência de Deus, Companhia das Letras, tradução de George Schlesinger, 536 páginas, 59 reais) foi publicado há pouco tempo no Brasil. Não é a primeira vez que abordamos o assunto na editoria de ciência do site de VEJA. No inicio do ano conversei com Sam Harris sobre o livro Moral Landscape, em que o autor defende uma tal de “ciência da moralidade”.

Dessa vez, em vez do energético e polarizado Sam Harris, encontrei uma ateia de voz doce e discurso amigável. Para colocar à prova seu discurso conciliador, fiz provocações e perguntas incômodas durante a entrevista. Rebecca, contudo, consegue como poucos falar de um assunto tão polemico quanto Deus, religião e suas implicações, sem trazer à tona a animosidade da coisa. Uma pena que não pude publicar a íntegra da entrevista. Poucas pessoas alem dos próprios jornalistas se dão conta da quantidade de material que não chega a ser publicado em uma entrevista. O que “vai pro ar” é uma espécie de melhores momentos. Das 30 perguntas que fiz, 10 entraram na matéria. Continue…