2014: O ano em que você vai levar um furo de um jorna-nerd

Em 2014, você vai levar furo de um repórter que sabe programar. Sim, você mesmo. Não o repórter na baia ao lado. Não aquele colega de faculdade. Você.

“Posso dizer então que isso que você falou seria…”


Claro, repórteres não precisam programar. Mas há muitas coisas que repórteres não precisam saber como fazer. Eles também não precisam saber escrever — muitos “artistas do furo” mal conseguem escrever seus nomes e seus textos são reescritos por santos editores. Vários que sabem escrever muito bem são do tipo acanhado, não conseguem conceber como convencer estranhos a contar seus segredos. E todos conhecemos repórteres que não sabem fazer uma requisição usando a Lei de Acesso à Informação e não suportam a ideia de ler a avalanche de documentos que, com sorte, chegam com a resposta.
Você pode ser um bom jornalista sem ser capaz de fazer várias coisas. Mas cada habilidade que você não tem deixa toda uma categoria de histórias e reportagens fora do seu alcance. E histórias baseadas em dados são, normalmente, aquelas que conseguem se esconder debaixo do seu nariz. Continue…

Prêmio Esso Educação 2012: uma aula de jornalismo de dados e bom senso

O título “Aula de Excelência na Pobreza”, matéria d’O GLOBO que rendeu o Prêmio Esso de Educação em 2012 ao jornal, não parece, a princípio, nada fora do comum para uma pauta de educação/desenvolvimento social. Um bom exemplo encontrado na Amazônia, uma escola incrível, ponto fora da curva no Brasil. Mas não é bem assim. Antônio Gois, jornalista do GLOBO que liderou o especial, explicou como a pauta nasceu para o grupo de 30 jornalistas que participa do curso de jornalismo de dados organizado pela fundação lemann em parceria com o Insper.
Gois, com a ajuda de Ernesto Farias, economista da fundação lemann, selecionou todas as escolas brasileiras com nota acima de seis no Ideb (nível que seria compatível com escolas de países desenvolvidos), mas com uma ressalva: aquelas que têm o nível sócio-econômico mais baixo, até 25% na escala. O corte separou 82 escolas das demais brasileiras. Muitos já tirariam uma manchete daí, “82 escolas ‘pobres’ do Brasil têm nível de primeiro mundo”.
Contudo, algumas dessas escolas podiam ser exceções. Foi feita uma análise de contexto: como essas escolas pontuaram em Idebs anteriores? É um comportamento de tendência ou um pico inesperado? Apenas as que tiveram pontuação consistente ao longo dos anos foram selecionadas para receber visita da equipe. Além disso, os jornalistas do GLOBO bolaram um questionário com 10 perguntas para que os repórteres pudessem verificar de forma uniforme se as escolas tinham características em comum que ajudasse a explicar o bom desempenho no Ideb.
Dentre as características comuns às escolas, estão a preocupação em não deixar nenhuma criança para trás, a participação das famílias estimulada pelas escolas, o bom ambiente escolar e a satisfação dos professores.