Querida família

Eu não vivi a ditadura, mas sabemos, hoje, que a “revolução de 64” foi um Golpe de Estado. Os grupos que apoiaram o golpe erraram. Erraram porque foram contra a democracia, coisa que nunca devemos fazer. Não há saída fora da democracia. A decisão desses grupos em apoiar a tomada de poder pelos militares resultou num período longo e traumático para o Brasil. Famílias perderam seus filhos, políticos perderam seus direitos. Pessoas foram exiladas. Muitos torturados. O que se avançou com o milagre econômico na gestão Médici é pequeno frente ao retrocesso cívico que tivemos no país.
A nação perdeu muito, tanto do ponto de vista de violação de direitos fundamentais, quanto do ponto de vista da liberdade de pensamento. Sabemos também que a ditadura não começou anunciada. Tudo foi feito como rezava o rito constitucional, com a benção do Supremo, do Congresso e da imprensa, e inclusive com apoio de alguns setores da sociedade.
Mas golpes raramente são anunciados como tal. O que circulava nos press releases de 1964 era um novo governo que respeitaria a constituição e colocaria o Brasil nos trilhos, para limpar a corrupção e uma solução para afastar de vez a “esquerda”. É assustador como essa proposta tem similaridade com as narrativas que transitam pelo Brasil hoje. Continue…